Barroco

Sant Ivo della Sapienza, Roma, FRANCESCO BORROMINI, 1642-60Com o Barroco, os arquitetos do período Classico fizeram um corte com o Humanismo e Idealismo do Renascimento. As formas tornaram-se mais ricas, dando enfase à ilusão em detrimento da meterialização de ideais puros em formas platônicas, resultantes do desejo de reforçar a doutrina religiosa. No entanto, a habilidade para transmitir ideias não arquitetônicas fez com que o Barroco tomasse contato com conceitos diversos, desde descobertas matemáticas até ao Absolutismo Politico.

GIANLORENZO BERNINI (1598-1680); FRANCESCO BORROMINI (1599-1667); PIETRO DA CORTONA (1598-1682); CARLO RAINALDI (1611-91); GUARINO GUARINI (1624-83); FILIPPO JUVARRA (1678-1736)

Complexidade; movimento; emoção; ilusão; expectação

A arquitetura barroca emergiu com dois grandes arquitetos romanos do séc. XVII, Gianlorenzo Bernini (1598-1680) e Francesco Borromini (1599-1667). Ambos criaram formas livres e complexas, assimilando para a tradição Clássica realidades politicas, litúrgicas e topográficas que os ideais do Renascimento das formas “puras” e edifícios livres dificilmente absorveriam.
Seguidor de pintores do estilo Barroco, como Caravaggio, e treinado como escultor, Bernini utilizou o gesto e a postura física para transmitir emoções humanas invocadas por situações particulares. Ele combinou frequentemente figuras esculturais, e por vezes a pintura, para personalizar e acrescentar narrativas explicitas aos efeitos arquitetônicos; por exemplo, em San Andrea al Quirinale, em Roma, ne representação da alma de Santo André abandonando o seu corpo crucificado e escendendo, ajudado por putti (rapazes ajudantes), para a luz divina de uma claraboia no topo da cúpula. Até a Colonnade da Praça de São Pedro faz lembrar braços abarcando e reunindo a humanidade para dentro da ortodoxia religiosa, um objetivo essencial da Contra-Reforma. As fontes de Borromini eram mais abstratas mas também estavam dotadas de um efeito igualmente envolvente. Ele recorreu aos conhecimentos que aprendera nas oficinas da sua família, onde se trabalhava a pedra, e fundiu-os com um conhecimento profundo sobre geometria para criar formas complexas extraordinárias. A sua obra-prima, San Carlo alle Quattro Fontane (1633-65), alcança uma unidade dinâmica fantástica de triângulos e círculos, intercalando símbolos da santíssima trindade com a unidade e o poder da Igreja Cristã. O Barroco expandiu-se pelo mundo católico e teve algum efeito fora dele, notavelmente no Empirismo Anglicano. Mas, longe de Roma, os seus aspectos decorativos, e não a sua criatividade espacial e estrutural, tornaram-se dominantes. Turim foi uma exceção, onde Guarino Guarini, e mais tarde Filippo Juvarra, conseberam trabalhos que rivalizavam com os de Boromini por serem completamente Racionalistas. Tendo sido ilustre matemático e filosofo antes de se voltar para a arquitetura, o conhecimento de Guarini está subjacente à sua arquitetura. O pensamento avançado, segundo Guarini, garantia a evolução da expressividade da arquitetura para além dos cânones estilísticos convencionais.

EDIFÍCIOS PRINCIPAIS
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San Andrea ai Quirinale, Roma, GIANLORENZO BERNINI, 1658-70
A igreja de Bernini para o noviciado jesuíta é o epítome as síntese Barroca entre a arquitetura, a escultura e a pintura, combinadas para criar um efeito visual avassalador. Uma pintura atrás do altar descreve o martírio de Santo André (Andrea). A sua alma ergue-se através de um frontão quebrado, assistida por um gesto ascendente da figura angélica, que se eleva à cúpula e claraboia divinas.
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San Carlo alle Quattro Fontane, Roma, FRANCESCO BORROMINI, 1633-67

Borromini atingiu uma complexidade barroca ao sobrepor composições arquitetônicas, em vez de integrar diferentes meios artísticos. O interior deriva de um plano que combina um triângulo, um circulo e uma oval, tendo cada um uma ressonância simbólica, unificados sob uma cúpula elíptica.
 
 
 
 
OUTROS EDIFÍCIOS EM ITÁLIA
Sant Ivo della Sapienza, Roma, FRANCESCO BORROMINI, 1642-60; Piazza San Pietro, Roma, GIANLORENZO BERNINI, 1656; Santa Maria della Face (Frente ocidental e plazza), Roma, PIETRO DA CARTONA, 1656-7; Santa Maria de’Miracoli e Santa Maria em Monte

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