Maneirismo


Biblioteca San Marco, VenezaEm meados do séc. XVI, era claro que uma adesão rígida às regras do Renascimento não era sempre possível e que eram necessárias variações para ir ao encontro de contingências práticas. O Maneirismo foi o modo como os arquitetos moldaram e adaptaram a forma e o detalhe dos precedentes clássicos, quer por motivos pragmáticos como pelos efeitos visuais. Este movimento redirigiu a arquitetura casta, intelectual e austera do Humanismo para o efeito cênico e para a resposta emocional.

MICHELANGELO (1475-1564); BALDASSARE PERUZZI (1481-1536); MICHELE SAN MICH E LI (1484-1559); JACOPO SANSOVINO (1486- 1570); GIULIO ROMANO (1499-1546); ANDREA PALLADIO (1508-80)

ornamento; licença; ilusão; detalhe criativo

Quando Miguel Ângelo se tornou no arquiteto da Basílica de São Pedro em 1547 (ver ilustração da pág.42), a clareza da visão original de Bramante já se tinha perdido durante numerosas alterações inacabadas. Ele acrescentou um segundo quadrado, a 45 graus, ao plano original de Bramante, tornando-o uma composição dinâmica que lhe permitiu incorporar extremidades soltas e criar colunas largas o suficiente para apoiar o tambor e a cúpula, ambos colossais. No tambor ele colocou grandes janelas retangulares na horizontal em vez de as colocar verticalmente e acima delas colocou uma armação e um entablamento — um exemplo da prática maneirista, utilizando simultaneamente duas estratégias de composição. O Maneirismo fez-se sentir de várias maneiras. O pupilo romano de Rafael, Giulio Romano, trabalhou para a dinastia Gonzaga em Mântua desde 1520, apresentando uma série de desvios do cânone clássico na sua obra-prima, o Palazzo del Te, onde alternou ritmos, misturou pilastras com o estilo rústico e arcos com frontões. A extraordinária invenção não se afasta de uma concepção ampla da tradição clássica, tanto literária como arquitetônica, e culmina num impressionante interior sem ornamentos arquitetônicos mas coberto por uma pintura que representa os gigantes a destruir as ordens Clássicas. Andrea Palladio, que poderá ter colaborado com Romano, expandiu de modo semelhante a tradição Clássica para poder incorporar elementos anteriormente incompatíveis. A ilusão é também um elemento central no desenho de Baldassare Peruzzi para o Palazzo Massimi em Roma. Em mãos com o problema de uma localização irregular onde tinha de encaixar um palácio duplo para dois irmãos, encurvou a fachada para acompanhar a configuração da rua. Por trás, uma série de ilusões são reforçadas pelo esquema decorativo que inaugura um princípio que viria a atingir o seu apogeu na época barroca, no século seguinte.

EDIFÍCIOS PRINCIPAIS


por Mangaltepe

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Basílica, Vicenza, 1546-9 ANDREA PALLADIO
A primeira comissão pública de Palladio foi a de elevar um edifício já existente com duas arcadas de dois pisos. Muitas das dimensões foram predeterminadas pela estrutura existente e para se adequar a elas o seu desenho conjugou vários dispositivos clássicos — a essência do Maneirismo — de modo a alcançar uma flexibilidade que não teria sido possível com a utilização de uma só ordem.

OUTROS EDIFÍCIOS EM ITÁLIA

Biblioteca Laurentiana, Florença, MICHELANGELO, 1524; Capitólio de Roma, MICHELANGELO, 1546; Palazzo del Te, Mântua, GIULIO ROMANO, 1525-35; Casa própria, Mântua, GIULIO ROMANO, 1544; Palazzo Massimo, Roma, BALDASSARE PERUZZI, 1532-6; Biblioteca San Marco, Veneza, JACOPO SANSAVINO, 1536-53; Palazzo Thiene, Vicenza, ANDREA PALLADIO, 1549; Palazzo Chiericati, Vicenza, ANDREA PALLADIO, 1549; San Giorgio Maggiore, Veneza, ANDREA PALLADIO, 1566; II Redentora, Veneza, ANDREA PALLADIO, 1576

TUDO A VER

Barroco; Rococo; Classicismo Romano; Invencionismo

NADA A VER

Classicismo Helénico; Idealismo; Racionalismo

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